Cadê a nossa indignação?
- Vigília Comunica

- 4 de abr.
- 1 min de leitura
por Lea Oksenberg
Olhar para os Estados Unidos hoje dá uma inveja danada, né? Lá, o povo ganha as ruas, o jovem grita, a coisa ferve. Aqui no Brasil, o silêncio da esquerda é de estranhar. O que aconteceu com aquela garra que a gente conhecia?

A verdade é que a esquerda brasileira ficou "comportada" demais. E isso não foi por acaso. Lembra lá no primeiro governo Lula, quando os grandes nomes da CUT e dos movimentos sociais viraram ministros, assessores e ganharam cargos comissionados? Pois é. Naquela hora, a gente trocou o megafone pelo crachá. Quem antes organizava o protesto, passou a ter que bater o ponto no gabinete. A militância se profissionalizou e, de certa forma, se acomodou no conforto do ar-condicionado.
Enquanto isso, a juventude parece que não se enxerga mais nessas bandeiras antigas. O mundo mudou, a conversa agora é outra, e a esquerda oficial parece que ficou presa num roteiro de vinte anos atrás.
O resultado é esse vazio que a gente vê. A direita hoje ocupa as ruas com uma facilidade que assusta, enquanto a esquerda virou "defensora das instituições". É importante defender a democracia? Claro que é. Mas política sem povo na rua é política anêmica, sem sangue nas veias.
Se a gente continuar achando que nota oficial de partido substitui o grito da multidão, vamos continuar assistindo ao mundo explodir lá fora enquanto aqui a gente só olha pela janela, esperando alguém tomar a iniciativa ou a banda passar.
Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor




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