O equilíbrio da esperança
- lazzarimlouize
- há 10 horas
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Por Lea Oksenberg
Tem dia que o mundo amanhece parecendo que pesa muito além do que a gente pode carregar. É um excesso de ruído, de mentira, de coisas sem sentido algum, de polêmicas rasas e futilidades. Não há trégua. A sensação é de que o bom senso se perdeu em algum lugar pelo caminho. A gente olha o calendário, tromba com as eleições chegando e já sente o cansaço desse entulho digital que tenta soterrar o que é real.

É aí que a imagem da esperança equilibrista faz todo o sentido. Ela não tem nada de ingênua; sabe que a corda é bamba e dança nela de sombrinha, mas não abre mão do próximo passo. É uma teimosia mansa, quase um passo de dança, para não deixar que o barulho em volta dite o ritmo da nossa caminhada.
O que busco é apenas uma semana que corra solta. Atravessar os dias sem nos perdermos no que é fabricado, mantendo o olhar atento ao que é verdadeiro. No fim, a gente segue equilibrando a vontade de dias mais leves com a coragem de acreditar que o amanhã ainda é um espaço aberto para o que é autêntico.
Que seja como uma alvorada, daquelas que chegam para desfazer o dissabor e expulsar a sombra. Um passo depois do outro, sem perder o compasso.
A esperança dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar
(O Bêbado e a Equilibrista – João Bosco e Aldir Blanc)




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