Comunidade rural festeja manutenção de escola do campo em Guarapuava
- lazzarimlouize
- 3 de mar.
- 3 min de leitura
Por Luis Lomba
A comunidade rural de Banhado Grande festeja a revogação do fechamento da Escola Municipal Domingos de Moraes. Depois de ampla mobilização popular, a Prefeitura de Guarapuava concordou em suspender a resolução que determinava o cessamento da escola. “Valeu a luta, pois trouxemos um exemplo de que não devemos ficar calados frente ao descaso, à desigualdade social e quando roubam nossos direitos. Ensinamos nossas crianças pelo exemplo”, afirma Jucilene Rodrigues dos Santos, que tem uma filha matriculada na escola.

Em audiência de conciliação, a Prefeitura se comprometeu a manter as turmas infantil 4 e 5. Isso resolve apenas parcialmente o problema, pois os alunos das turmas até o quinto ano terão que ir para outras escolas. De qualquer forma, a escola não será mais fechada e isso é uma vitória da comunidade. Será marcada nova audiência com a presença de representante da Mitra Diocesana, dona do terreno onde está a escola, para viabilizar espaços para construir salas de aula e banheiros.
“A escola existe há mais de 60 anos e tem um papel muito importante na cultura e no ensino para todos da comunidade”, diz Jucilene, que estuda Pedagogia.
O fechamento de escolas do campo tem sido um dos focos dos ataques ao direito à educação. No Paraná, o governador Ratinho Jr. já fechou 41 escolas rurais e outras sete estão sob ameaça, denuncia a Articulação Paranaense por uma Educação do Campo (Apec/PR).
No início de 2026, a Secretaria de Estado de Educação anunciou o fechamento de turmas no Colégio Estadual Chico Mendes, que fica no Assentamento Celso Furtado, em Quedas do Iguaçu. A medida levou a deputada estadual Luciana Rafagnin a enviar ofício à Seed questionando a decisão. “As escolas do campo cumprem um papel essencial na garantia do direito à educação pública e gratuita às comunidades rurais. Fechar turmas é desestimular a permanência dos jovens em seus territórios e fragilizar a agricultura familiar e a vida no campo”, diz a deputada.
Ratinho Jr. não limita seus ataques à educação do campo. A comunidade escolar Colégio Estadual Nirlei de Medeiros, em Curitiba, está mobilizada contra o fechamento de 14 das 23 turmas. A Secretaria da Educação transferiu estudantes arbitrariamente do turno da noite para o da manhã, sem qualquer consulta ou diálogo com as famílias. O fechamento de turmas e escolas exclui milhares de trabalhadores estudantes, violando seu direito constitucional à educação.
Redes municipais
“Essa vitória em Guarapuava anima porque a gente vê que estamos conseguindo uma capilaridade nas redes municipais, onde os fechamentos de escolas são menos visíveis”, avalia André de Souza, coordenador da Apec/PR.
A democratização da gestão nos municípios passa pela instalação de conselhos de educação, aponta André. “No Paraná tem menos de 50 municípios com conselho municipal de educação. Essa também é uma luta de toda a categoria dos trabalhadores da educação, dos movimentos sociais que batalham por uma educação pública com gestão democrática, com participação das pessoas”, diz.
O fechamento de escolas é um dos temas que serão debatidos essa semana em Brasília, durante o Fórum Nacional da Educação do Campo. Nos dias 5 e 6 de março, com a participação do Conselho Nacional do Ministério Público, o encontro vai discutir o problema. “Em alguns estados o Ministério Público e a Defensoria Pública têm atuado de maneira bem interessante, construindo o que eles chamam de pacto pela educação do campo. Nossa intenção é que os ministérios públicos nos estados tenham uma atuação contra o fechamento de turmas, turnos e escolas”, adianta André, que vai a Brasília participar do Fórum.




Comentários