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DICA DE LEITURA I A árvore mais sozinha do mundo

Romance mais recente da jovem e prolífica Mariana Salomão Carrara aborda família de fumicultores


por Pedro Carrano



Publicado pela editora Todavia, em 2024, “A árvore mais sozinha do mundo”, da autora Mariana Salomão Carrara, entremeia poesia e prosa, mostrando que cada vez menos há fronteiras entre os gêneros.


Há um aspecto inusitado: a narração é feita a partir do olhar distraído e distante de uma árvore, em contraposição à cultura fumageira que devora uma família de agricultores.


Uma árvore solitária, própria da configuração da paisagem do agronegócio consumidor de agrotóxicos, que consome a natureza e também a força de trabalho familiar. Assim como a narrativa também é feita do ponto de vista de objetos da casa.


Natureza, humano, labor e natural são contrapostos a todo momento: “A verdade é que não são todas as naturezas que conseguem amar os homens”, página 45 e “O gestual humano é sempre inalcançável aos galhos”, página 72.


A jovem autora, Mariana Salomão Carrara, apresenta seu quinto romance com detalhes em suas filigranas de linguagem e das cenas da vida. As frases muitas são simples, em linguagem coloquial, trabalhando com a linguagem oral de agricultores fumageiros do sul do país.


“ele massaja por dois segundos os ombros da mulher e suspira fundo, se calhar vai gritar que se danem os venenos, as vendas, os juros, que isto tudo já acabou e ficaram ali só fantasmas a perpetuar a lida em despropósito”, página 127.


Vale a pena conhecer uma autora da nova geração, experimental e complexa, poética e política ao traçar a saga de uma família condenada - mais que ao desterro, à solidão da exploração da terra.

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