DICA DE LEITURA I Armadilhas, de Luiz Ruffato: uma prosa mundana, operária
- Pedro Carrano
- há 1 dia
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por Pedro Carrano

Ao longo das últimas décadas, Luiz Ruffato tem sido referência de escritor progressista, desenvolvendo uma literatura marcadamente mundana, popular. Mais que isso, uma literatura operária, com personagens que fazem referência ao universo da fábrica, do bairro, de uma cultura que hoje, de alguma forma, é mais fragmentada e dispersa na realidade das grandes cidades, o que se reflete também na ausência como tema literário.
Com mais de quinze trabalhos publicados, sempre com repercussão nacional, o mais recente é Armadilhas (Contos, 2026, Cia das Letras, 161 páginas). São 18 contos, a maioria curtos, com tom de oralidade, tempo e locais contemporâneos determinados, e também com uma ponte com fatos históricos.
O centro de Rufatto é a construção dos personagens, quase como um repórter ou investigador, trazendo ao centro do palco as desventuras dessas pessoas, relacionadas com o futebol, com a ditadura, com o mundo do trabalho.
“Monalisa, o nome dela. Morena, cabelos pretos escorridos, longilínea, bonita. Cotidianamente a via tomar o ônibus no ponto em frente à oficina mecânica onde trabalhava e dormia. Eu tinha dezessete anos e havia me mudado em janeiro para Juiz de Fora. Conseguira emprego com o Cabeludo, sujeito forte, idade determinada, talvez uns quarenta anos, cabelos louros ensebados caindo pelos ombros, sempre enfiado num macacão imundo, exímio na condução de qualquer dos três torno-mecânicos que aquele galpão sujo e abafado abrigava”, página 25.




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