Famílias da ocupação Francisco Bernardo seguem em negociação
- Pedro Carrano
- 20 de mai.
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Ocupação no centro de Curitiba abriga 35 famílias e negocia chance de ficar no imóvel
por Pedro Carrano

No começo de 2026, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), ligado ao partido Unidade Popular (UP), organizou a ocupação Francisco Bernardo, no centro de Curitiba, que se soma a outra ocupação central organizada pelo Movimento Olga - de luta das mulheres.
Desde então, de acordo com a organização do movimento, 35 famílias têm negociado a chance de permanecer na rua Dr Faivre, 1212, perto da Rodoviária, em imóvel que pertence à União e havia sido cedido para a Prefeitura de Curitiba – porém sem qualquer uso ou destinação.
O combinado lá atrás era que o espaço deveria abrigar a Secretaria da Mulher, a Secretaria Municipal de Saúde e a Fundação de Ação Social (FAS), porém na verdade conheceu apenas infiltrações, musgo e abandono. As negociações têm sido feitas com a Superintendência local da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).
Reintegração de posse suspensa
Após a ocupação, as tratativas iniciais apontaram a impossibilidade de ficar num imóvel considerado de risco. Na voz de Joaquim Maciel, porém, um dos coordenadores do movimento, as negociações deram um salto de qualidade no último período.
Com a vinda recente do ministro Guilherme Boulos, da Secretaria Geral da Presidência da República e com novas negociações com a SPU, a ação de reintegração de posse está suspensa e o canal de diálogo aberto.
Maciel atribui o fato à mobilização e ocupação por parte do MLB da sede da Secretaria, em protesto. De acordo com ele, as negociações envolvem 35 famílias ocupantes e uma lista de 57 famílias cadastradas.
Maciel ainda afirma para a reportagem da Vigília Comunica que não há sinalização definida, se as famílias serão realocadas ou poderão ficar, o que seria a pauta do movimento. De acordo com a liderança, também não haveria debate sobre questão de aluguel social para as famílias saírem do local.
“O pessoal acha que dá para morar, para quem morava na periferia, achamos que dá para recuperar. Tem também a possiblidade de Minha Casa Minha Vida Entidades, para buscar um projeto de recuperação e financiar a reestruturação do prédio”, comenta, apontando que a experiência de ocupar um imóvel no Centro é algo necessário - numa cidade marcada pela exclusão e pelo grande número de pessoas que não possuem moradia digna - 109.402 pessoas apenas em Curitiba, de acordo com a Cohapar.
“Ocupação em terreno é muito sofrido, não tem uma água, luz, fica no barraco de lona, sem banheiro e chuveiro. Aqui, já tem creche para as crianças e refeitório comunitário, o pessoal já matriculou a criançada nas escolas da região e tem creche se preciso na ocupação, quem quer trabalhar pode ir tranquilo”, reflete Maciel.
Visão do poder público
A reportagem da Vigília Comunica entrou em contato com a Presidência da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), mas não teve resposta até o momento. O espaço segue aberto para informações.




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