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Global Sumud Flotilla: Os ventos do norte não movem moinhos

por Robson Formica*


É com alegria que recebemos a notícia da libertação dos presos políticos pelo Estado de Israel e da chegada dos tripulantes internacionalistas que estavam a bordo da Global Sumud Flotilla aos seus países de origem. Eles formaram uma legião de militantes sociais que pretendiam levar ajuda humanitária ao povo palestino na Faixa de Gaza, invadida e ocupada ilegalmente pelo Estado de Israel.


Foto: Global Sumud Flotilla
Foto: Global Sumud Flotilla

A invasão e ocupação ilegal do território palestino pelo Estado de Israel ocorre há mais de dois anos e meio. Segundo a revista Lancet, edição de abril deste ano, o número de palestinos assassinados violentamente é superior a 75.000. Outros mais de 8.500 são considerados mortos em excesso – ou seja, mortes muito superiores a média. O quadro é ainda mais grave, pois a Organização Mundial de Saúde (OMS) chama atenção para a subnotificação, que pode chegar a 40%. Com isso é provável que mais de 100.000 palestinos tenha morrido por conta do genocídio promovido pelo Estado de Israel, sendo que, mais da metade das vítimas são crianças e mulheres.


É importante lembrar que os palestinos não tem um Estado, portanto não é uma guerra de um exército regular contra outro. Em nome de combater o “terrorismo” o Estado de Israel promove terrorismo de estado contra um povo (sem exército). Na prática há um genocídio para tomar territórios e promover limpeza étnica na região da Faixa de Gaza e da Cisjordânia.


Diante de todo esse cenário, chama atenção a condição submissa, apática e covarde das lideranças mundiais – em especial dos “países desenvolvidos” que se advogam guardiões e exportadores da democracia ocidental e dos direitos humanos. França, Alemanha, Itália, Reino Unido, EUA e outros assistem passivamente, como cúmplices, e em alguns casos como “parceiros” e aliados do Estado de Israel, no maior e mais covarde massacre de um povo desde o Holocausto.


O Estado de Israel sequer permite a entrada de ajuda humanitária suficiente em Gaza. Ao contrário, em muitos casos, ataca veículos identificados pelos organismos multilaterais (OMS, ACNUR, Crescente Vermelho e outros). Pontos de espera e distribuição de ajuda humanitária onde palestinos aguardam famintos, exaustos, feridos e doentes são atacados pelo Estado de Israel. Na semana da páscoa – onde se faz referência ao sofrimento, martírio e ressurreição de Jesus, o Estado de Israel aprovou a pena de morte – como uma forma de condenação – aos palestinos.


É neste contexto que a Global Sumud Flotilla tentou furar o cerco ilegal promovido pelo Estado de Israel e levar alimentos, medicamentos e mantimentos ao povo palestino em Gaza. A missão da Flotilla foi interceptada ilegalmente em águas internacionais pelo terrorismo de Estado de Israel. As embarcações foram capturadas e as tripulações foram ilegalmente aprisionadas.

Beatriz Moreira, militante do MAB e do MAR, integrante da Global Sumud Flotilla, sequestrada por forças israelenses em águas internacionais. Foto: Oliver Kornblihtt / Midia Ninja
Beatriz Moreira, militante do MAB e do MAR, integrante da Global Sumud Flotilla, sequestrada por forças israelenses em águas internacionais. Foto: Oliver Kornblihtt / Midia Ninja

Após 72h submetidos a maus-tratos, violência e torturas os militantes pela solidariedade internacionalista ao povo palestino foram enviados à Turquia. Livres, retornarão aos seus países de origem. No Brasil, irão se juntar ao ativista Thiago Ávila, as militantes pela solidariedade internacionalista ao povo palestino, Ariadne Teles, Thainara Rogério e Beatriz Moreira de Oliveira, esta última militante do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, e que também representava o Movimiento de Afectados por Represa – MAR.


Que o exemplo destes camaradas nos inspirem a lutarmos para além de nossas causas específicas. Que possamos recuperar nossa capacidade de nos indignarmos frente a quaisquer injustiças, em qualquer lugar do mundo – como nos ensinou Che Guevara. Que possamos nos guiar por estes elevados exemplos de humanidade, solidariedade e altruísmo. Que os exemplos da solidariedade internacionalistas como das Brigadas Internacionais – na Guerra Civil Espanhola; das Brigadas Internacionais de Resistência – na II Guerra Mundial; e agora da Global Sumud Flotilla, nos inspirem a lutarmos por um mundo de paz e justiça para os povos.


Esse novo mundo exige um Estado Palestino viável e o fim das guerras. A Paz é revolucionária, a Solidariedade é revolucionária, o Internacionalismo é revolucionário. Neste cenário global em que “as águas no norte não movem moinhos”, que os ventos sul continuem a espalhar valores humanistas, de solidariedade internacionalista, a mover muitas flotilhas, a espalhar esperança e a girar a roda da história para superarmos estes tempos de difíceis.

Foto: Global Sumud Flotilla
Foto: Global Sumud Flotilla

Bem-vindos camaradas e Avante!


*Robson Formica é dirigente nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens

 
 
 

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