Jornada de Agroecologia aposta no fortalecimento da união entre campo e cidade
- Pedro Carrano
- 16 de jun.
- 3 min de leitura
Dirigente do MST do Paraná, Adriana Oliveira vê avanços na produção, na pauta da soberania alimentar e no fortalecimento da organização popular
por Pedro Carrano

A 23ª Jornada de Agroecologia acontece em Curitiba, entre os dias 18 e 21 de junho, reunindo uma programação diversificada de debates, oficinas, atividades culturais, shows, culinária e, principalmente, troca de saberes entre o campo e a cidade.
Mais do que isso, a Jornada deve ser vista como um espaço de resistência. Um local que expressa o acúmulo e a organização dos movimentos do campo, na construção da soberania alimentar. Ao mesmo tempo, aprofundando a relação com as organizações urbanas, o que vai de construir pontes com a economia solidária até a luta por moradia.
Isso é o que fica marcado a partir da conversa da Vigília Comunica com Adriana Oliveira, integrante da coordenação do MST, do coletivo Marmitas da Terra e da organização nacional Mãos Solidárias.
Adriana é hoje uma das vozes que encampou no Paraná a política de solidariedade entre campo e cidade, desde a crise da pandemia até os dias atuais, a partir das políticas de fornecimento de alimento para as periferias urbanas – e a organização popular que se constroi como pano de fundo a partir disso.
Desafios e síntese
Sabe-se que, em 2026, a maior feira agroecológica do Paraná deve contar com 137 empreendimentos solidários, cooperativas e experiências da agricultura familiar, vindos do Paraná e de outros estados, levando alimentos saudáveis, sementes crioulas, artesanatos e pratos típicos da cultura camponesa.
Qual seria o atual desafio da Jornada de Agroecologia? E quais as principais bandeiras que conduzem este evento? Para a dirigente do MST, é fundamental pensar a produção atual a partir da casa comum e do bem viver.
Adriana enxerga que o contexto de aumento da crise social e, com isso, ambiental, resultado do atual modo de produção capitalista, traz a agroecologia para um lugar importante do debate. Vide o que ocorreu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, onde populações de trabalhadores – na cidade e também no campo -, sofreram duramente o impacto da crise climática. Foi ali, mais uma vez, que entrou em cena a política de solidariedade do movimento.
Maturidade na relação campo e cidade
O MST, desde que ganhou grande protagonismo na política nacional no Brasil e no Paraná, sobretudo no final dos anos 1990 e começo dos anos 2000, tem como pauta a relação com as demais organizações da classe trabalhadora. Nunca foi um movimento economicista ou corporativo. O que sempre se resumiu na palavra de ordem “união entre campo e cidade”.
No entanto, na visão da dirigente da Jornada, essa síntese ganhou mais força real e concreta recentemente, com a ampliação dos trabalhos de solidariedade e das lutas da campanha Despejo Zero, e com o surgimento de novas ferramentas e organizações.
“Precisamos nos ver mais enquanto campo e cidade, reconstruir laços”, aponta, e acredita que os espaços da Jornada contribuem nesse sentido, também na interlocução com as políticas sociais do governo – caso do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e das cozinhas solidárias. Haverá um espaço de debate sobre o PAA, recriado pelo governo Lula junto à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no dia 19 de junho (sexta).

Cultura que fala das questões do povo
Essa percepção contribui na própria cultura e shows selecionados para a Jornada. As apresentações culturais de Genival Oliveira Gonçalves, o GOG, rapper do DF, conhecido nacionalmente, aponta o que Adriana chama de a “presença na Jornada de artistas negros, artistas que cantam os problemas reais do povo”, aponta.
Ao final da conversa com a reportagem da Vigília Comunica, Oliveira aponta três questões centrais para o papel da Jornada na atualidade: O primeiro é o papel da ciência e sua contribuição para uma produtividade sem “veneno” como diz. O segundo é o atual papel do governo Lula e a retomada de políticas públicas, “para olhar a pauta com mais sensibilidade, para os problemas sociais”, o terceiro o papel da tecnologia e sua contribuição ao território. O território que precisa ser conhecido e respeitado.
Oliveira defende que é preciso conhecer e respeitar o tempo de cada território, inclusive no que se refere à produção. Conhecer a história de quem produziu. "Programas do governo, como vai ter acesso? Como valorizar as frutas que são de determinada época?”, questiona.
Adriana enxerga como não só o lugar do mercado, na Feira Agroecológica, mas esse locus onde são oferecidos produtos a partir da organização coletiva dos movimentos populares, cooperativas e organizações.
“De como aquele produto dialoga com outras relações – e com a questão afetiva de quem produz”, aponta.






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