Kilter pressiona Angela a trocar camiseta de luta feminista
- Pedro Carrano
- 7 de abr.
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por Pedro Carrano
Na sessão de terça (7), na Câmara de Curitiba, em meio ao debate e votação sobre a Proposição Nº 031.00301.2025, que busca ampliar as restrições para nomeações em cargos públicos a quem participa de movimentos por moradia, o debate estava quente entre a oposição, contrária ao projeto, e a direita da casa, que defendeu a proposta do vereador Olimpio Araújo Junior (PL).
Em cerca de três minutos, Araújo defendeu o teor do projeto, reivindicando, de forma geral, "moralidade administrativa e defesa da propriedade".
Porém, antes do aparte da vereadora Vanda de Assis (PT) cedido para a fala de Professora Angela (Psol), o vereador Guilherme Kilter (Novo) exigiu, de acordo com o regimento da casa, que a vereadora do Psol mudasse a camiseta que continha a frase: "Lute como uma garota". A pressão do vereador e da mesa diretora sobre Angela teve tom machista.
A reação foi geral, o clima tensionou ainda mais. A seriedade do projeto que deveria ser debatido contrastou com a postura ideológica de Kilter, apontaram as vereadoras.
"A camiseta não é feminista, feminista somos nós, vereador", respondeu a vereadora Vanda de Assis sobre a exigência de Kilter.
Vanda já havia defendido "Que as famílias nas ocupações não merecem ser criminalizadas, mas ter o direito à moradia digna", afirmou.
Angela se viu então obrigada a se retirar de plenário, para mudar a camiseta e depois fazer sua fala. Ela ainda argumentou que as falas são interrompidas diariamente na casa pelos vereadores homens.
Embate por temas reais
Em que pese a indignação com a pressão e o machismo sofridos pela vereadora, a oposição centrou suas defesas na situação concreta das famílias que lutam por moradia na capital.
"A moradia é um direito constitucional, o projeto não se preocupa com corrupção ativa, passiva e peculato. O problema O problema são as pessoas que lutam por um teto?", questionou.
Camilla Gonda, (PSB), além de ter criticado duramente a atitude vivenciada por Angela, na sua fala trouxe vários elementos sobre a inconstitucionalidade do projeto de Araújo. Enquanto Laís Leão, vereadora do PDT, criticou abertamente o projeto e a falta de argumentos em torno dele, destacando o problema de "Comparar comunidades em luta contra remoção com quem comete feminicídio" - uma vez que atual lei já impede nomeações na Câmara por corrupção, violência e feminicídio.
Giorgia Prates (PT), no contexto de defender a legitimidade das ocupações, exibiu um vídeo com entrevistas feitas com famílias trabalhadoras em despejos ocorridos desde 2024, caso da Britanite (Tatuquara) e da Resistência Forte (Campo Comprido). Apenas ali, estavam em jogo a vida de 600 famílias populares.
"É fácil criminalizar os movimentos sociais, o difícil é cobrar e garantir que ninguém precise ocupar, o que aconteceria se todo mundo já tivesse casa para morar", afirma a vereadora.




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