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Medo, resistência e luta contra a violência de gênero na UFPR

por Lea Oksenberg


O ambiente universitário, reconhecido como espaço de debate e construção do conhecimento, depara-se com uma realidade sombria que impõe o medo e a vigilância à rotina de suas estudantes. A recente vinda a público de denúncias sobre um grupo de mensagens que organizava tentativas de estupro e promovia "apostas" de violência sexual contra alunas de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR) disparou um alerta que vai muito além das salas de aula.

Alunos pedem saída dos abusadores que estudam na UFPR.
Alunos pedem saída dos abusadores que estudam na UFPR.

O caso, que corre em sigilo, é investigado pela Delegacia da Mulher e pelo Ministério Público do Paraná. Em paralelo, a Corregedoria da própria universidade abriu processos internos para identificar os envolvidos. Se por um lado a resposta institucional caminha pelos trâmites burocráticos e policiais, por outro, a comunidade estudantil entendeu que o tempo de espera acabou.


A indignação diante da gravidade dos fatos foi o combustível para uma forte reação dentro da instituição. O Diretório Acadêmico de Medicina Nilo Cairo (DANC) emitiu alertas urgentes de segurança, mobilizando a comunidade a não se calar. O eco dessas denúncias somou-se a um histórico de insatisfações com a lerdeza no acolhimento e no andamento de queixas de assédio na Ouvidoria, resultando na ocupação do prédio do Diretório Central dos Estudantes (DCE).


A mobilização transformou as escadarias e os corredores ocupados em um fórum de exigências imediatas por dignidade. Na Carta de Reivindicações entregue à Reitoria, a segurança e a pauta de gênero ocupam o centro do debate. Os estudantes cobram rapidez nas investigações, punição rigorosa aos envolvidos e a criação de espaços de acolhimento efetivos para vítimas de assédio, além de oficinas de conscientização sobre gênero e raça para os servidores.


Há, também, a clara percepção de que a segurança física das alunas se faz no chão dos campi. A urgência por iluminação pública eficiente no Politécnico, no Jardim Botânico e no SEPT - Setor de Educação Profissional e Tecnológica da Universidade -, a instalação de câmeras e a revisão de pontos de ônibus deixaram de ser apenas pedidos de infraestrutura para se tornarem garantias de sobrevivência. O movimento estudantil clama ainda pela preservação de seus espaços e pela garantia de que nenhum estudante sofrerá punições por participar dos protestos.


O episódio que assusta Curitiba expõe a necessidade urgente de arrancar pela raiz a violência de gênero em estruturas acadêmicas tradicionais. Ao ocuparem seus espaços, os estudantes da UFPR sinalizam que a segurança das mulheres não pode ser tratada como promessa ou nota oficial: é condição básica para que a universidade continue existindo como espaço de liberdade.


um dia

a gente ia ser nós

e não sobrou mais ninguém

Paulo Leminski

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