Medo, resistência e luta contra a violência de gênero na UFPR
- Vigília Comunica

- há 4 dias
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por Lea Oksenberg
O ambiente universitário, reconhecido como espaço de debate e construção do conhecimento, depara-se com uma realidade sombria que impõe o medo e a vigilância à rotina de suas estudantes. A recente vinda a público de denúncias sobre um grupo de mensagens que organizava tentativas de estupro e promovia "apostas" de violência sexual contra alunas de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR) disparou um alerta que vai muito além das salas de aula.

O caso, que corre em sigilo, é investigado pela Delegacia da Mulher e pelo Ministério Público do Paraná. Em paralelo, a Corregedoria da própria universidade abriu processos internos para identificar os envolvidos. Se por um lado a resposta institucional caminha pelos trâmites burocráticos e policiais, por outro, a comunidade estudantil entendeu que o tempo de espera acabou.
A indignação diante da gravidade dos fatos foi o combustível para uma forte reação dentro da instituição. O Diretório Acadêmico de Medicina Nilo Cairo (DANC) emitiu alertas urgentes de segurança, mobilizando a comunidade a não se calar. O eco dessas denúncias somou-se a um histórico de insatisfações com a lerdeza no acolhimento e no andamento de queixas de assédio na Ouvidoria, resultando na ocupação do prédio do Diretório Central dos Estudantes (DCE).
A mobilização transformou as escadarias e os corredores ocupados em um fórum de exigências imediatas por dignidade. Na Carta de Reivindicações entregue à Reitoria, a segurança e a pauta de gênero ocupam o centro do debate. Os estudantes cobram rapidez nas investigações, punição rigorosa aos envolvidos e a criação de espaços de acolhimento efetivos para vítimas de assédio, além de oficinas de conscientização sobre gênero e raça para os servidores.
Há, também, a clara percepção de que a segurança física das alunas se faz no chão dos campi. A urgência por iluminação pública eficiente no Politécnico, no Jardim Botânico e no SEPT - Setor de Educação Profissional e Tecnológica da Universidade -, a instalação de câmeras e a revisão de pontos de ônibus deixaram de ser apenas pedidos de infraestrutura para se tornarem garantias de sobrevivência. O movimento estudantil clama ainda pela preservação de seus espaços e pela garantia de que nenhum estudante sofrerá punições por participar dos protestos.
O episódio que assusta Curitiba expõe a necessidade urgente de arrancar pela raiz a violência de gênero em estruturas acadêmicas tradicionais. Ao ocuparem seus espaços, os estudantes da UFPR sinalizam que a segurança das mulheres não pode ser tratada como promessa ou nota oficial: é condição básica para que a universidade continue existindo como espaço de liberdade.
um dia
a gente ia ser nós
e não sobrou mais ninguém
Paulo Leminski




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