top of page

UFPR adere ao Pacto Nacional das Universidades contra o Feminicídio

por Luis Lomba


A Universidade Federal do Paraná (UFPR) anunciou nesta terça-feira (26) a adesão ao Pacto Nacional das Universidades contra o Feminicídio. O anúncio foi feito durante ato na escadaria da Universidade na Praça Santos Andrade, com a participação da ministra das Mulheres, Márcia Lopes; do reitor, Marcos Sunye; da vice-reitora, Camila Fachin; estudantes e lideranças na luta em defesa das mulheres.

Foto: Luis Lomba
Foto: Luis Lomba

“Uma coisa que a gente tem notado é que não basta fazer o movimento de empoderamento das mulheres. É preciso também um movimento de enfrentamento contra a violência. Não podemos ficar passivos esperando as denúncias para depois tomar uma atitude. Esse evento caracteriza isso. A gente está entrando no enfrentamento e saindo da posição passiva”, afirmou Sunye.


O Pacto das Universidades contra o Feminicídio integra o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa lançada pelos três poderes para prevenir violências de gênero. “A informação que eu tenho é que somos a primeira universidade que faz oficialmente essa adesão. A gente já está com um grupo criado e vai começar em breve várias ações para proteger e defender as mulheres. A gente forma cidadãos, não só profissionais”, disse Sunye.


“As mulheres têm um canal de denúncia que é protegido, cada denúncia vai ser levada muito a sério e vamos procurar uma punição justa para quem causou esse mal”, acrescenta o reitor.

A adesão ao Pacto acontece após denúncias de violência contra mulheres na UFPR apontado que alunos de Medicina monitoravam e assediavam alunas, criando uma lista de “estupráveis” e promovendo ‘bolões’ sobre quem conseguiria cometer o crime primeiro.


A ministra Márcia Lopes parabenizou o reitor e a vice-reitora pela adesão ao Pacto. “É necessário combatermos essa cultura machista, misógina, atrasada, que não se importa com vidas. Vocês estão sendo corajosos, pois não é simples”, disse. Ela afirmou que o problema atinge não só estudantes, mas também servidoras e professoras das universidades.

Ministra Márcia Lopes durante o ato. Foto: Luis Lomba
Ministra Márcia Lopes durante o ato. Foto: Luis Lomba

“Não podemos permitir isso. E a forma de não permitir é a gente se reunir, é a gente ler, estudar, ter a coragem de criar espaços onde esse debate seja feito abertamente”, disse. “Usem as mídias, falem nas rádios, escrevam artigos, é isso que vai mudar a realidade. Enfrentar esse problema é uma tarefa de cada cidadão e cidadã desse país”, recomendou.


O ato denunciou também decisão do Tribunal de Justiça do Paraná, que desclassificou um crime de tentativa de feminicídio praticado por homem que ateou fogo na esposa, com a justificativa de que ele não teria a intenção de matá-la.


“É estarrecedora essa decisão do TJPR. Ontem felizmente recebi a informação de que o Ministério Público já entrou com recurso contra essa decisão. É disso que precisamos. Quando reagimos as coisas acontecem”, disse Márcia Lopes.

Comentários


bottom of page