top of page

Ato na escadaria da UFPR mobiliza para enfrentar a violência contra as mulheres

por Luis Lomba


O enfrentamento à violência contra as mulheres começa cedo nesta terça-feira (26) em Curitiba, com uma manifestação na escadaria da UFPR na Praça Santos Andrade, a partir das 8 horas. O evento terá a participação da ministra de Mulheres, Márcia Lopes, lideranças acadêmicas e políticas. “O ato foi chamado, inicialmente, pela própria reitoria da Universidade Federal do Paraná, por iniciativa da Camila Fachin, que é a vice-reitora. Esse ato foi pensado como uma resistência aos episódios recentes de violência na UFPR, que envolvem a elaboração de uma lista de mulheres estupráveis dentro da Universidade. É um fenômeno que, infelizmente, não é só dentro da Universidade Federal do Paraná” , explica Marilda Ribeiro da Silva, secretária de Mulheres do PT Paraná.


Foto: Marcos Solivan
Foto: Marcos Solivan

As denúncias de violência contra mulheres na UFPR apontam que os suspeitos monitoravam e assediavam mulheres, tornando uma estudante o alvo principal. Eles promoveriam ‘bolões’ sobre quem conseguiria cometer o crime primeiro. A UFPR acionou a Polícia Civil e instaurou investigação na Corregedoria, mas o Diretório Central dos Estudantes (DCE) considera as medidas insuficientes. Quatro das dez reivindicações apresentadas após a ocupação do prédio do DCE na semana passada se referem a essa demanda: aceleração da investigação e punição do grupo criminoso que planejava e apostava violentar estudantes da Universidade, investigação e punição de professores e alunos da UFPR com denúncias de violência de gênero que se encontram paradas na Ouvidoria, melhoria da iluminação dos campi e criação de espaços de acolhimento às vítimas de assédio.


Marilda afirma que o problema não se limita à UFPR e se estende a outras universidades. De fato, em abril deste ano a mídia publicou denúncia de abuso e importunação sexual na Universidade Tuiuti, em Curitiba. Em 2025 e 2026 houve 17 denúncias de estudantes de Psicologia, Enfermagem e Medicina Veterinária. “Isso acontece em vários espaços estudantis e precisa ser denunciado. Nós do Movimento de Mulheres estamos nos somado a esse chamamento da Universidade para que a gente possa fortalecer a denúncia, a forma de denunciar essa situação e também de buscar as formas de resistência das mulheres e, especialmente, das mulheres estudantes dentro do espaço da universidade”, diz a dirigente.


Além das violências nas universidades, o ato de terça-feira (26) vai denunciar também decisão do Tribunal de Justiça do Paraná, onde na semana três desembargadores decidiram pela desclassificação de um crime de tentativa de feminicídio praticado por homem que ateou fogo na esposa. ‘É uma decisão que mostra o quanto a sociedade brasileira precisa avançar nos espaços institucionais. O Judiciário precisa também assumir a sua tarefa e a sua missão, inclusive agora no Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, que envolve os três poderes da República. O Judiciário é um deles, mas precisa agir de forma contundente contra a violência e na criminalização dos agentes dessa violência”, aponta Marilda.


“Essa decisão precisa ser revista. Nós estamos juntos a diversos movimentos de mulheres,, fazendo a denúncia e buscando junto ao Conselho Nacional de Justiça e aos órgãos do Judiciário que possam intervir para que essa decisão seja revista, e assim o criminoso seja condenado com base na legislação penal que caracteriza o crime como tentativa de feminicídio” afirma a dirigente. “Essa é uma realidade que a gente precisa enfrentar com muita seriedade, com muito compromisso, e é resultado do avanço do conservadorismo, do machismo, da misoginia e também do antifeminismo”, completa.

Comentários


bottom of page