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Mostra nacional destaca produção, ciência e protagonismo das mulheres camponesas

Encontro em Brasília reuniu mulheres de 18 estados, lançou projetos voltados à autonomia econômica das mulheres e reforçou a defesa de políticas públicas para o campo


por Adi Spezia


Na última semana, em 3 de junho, Brasília recebeu a II Mostra Nacional da Produção e Ciência das Mulheres Camponesas – Sociobiodiversidade e Bem-Viver, organizada pelo Movimento de Mulheres Camponesas (MMC). O objetivo foi dar visibilidade à produção, aos saberes e às experiências construídas pelas mulheres camponesas em seus territórios, reafirmando a agroecologia, a soberania alimentar, a sociobiodiversidade e o Bem-Viver como dimensões centrais da luta do MMC.


Lançamento dos projetos “Quintais Produtivos” e “Terra à Mesa”. Foto: Débora – MMC-RO
Lançamento dos projetos “Quintais Produtivos” e “Terra à Mesa”. Foto: Débora – MMC-RO

A mostra reuniu mulheres camponesas de 18 estados, representantes de organizações parceiras, movimentos sociais e órgãos do Governo Federal, reafirmando o compromisso coletivo com a luta por uma vida digna no campo. Além da exposição da produção e da ciência das mulheres camponesas, a programação contou com apresentações culturais, tenda de comercialização de produtos do movimento e estandes informativos.


Como parte da programação, foi realizado um ato político, além do lançamento dos projetos “Quintais Produtivos” e “Terra à Mesa”, por meio da Associação Nacional de Mulheres Camponesas (ANMC), com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). Segundo o MMC, os projetos são fundamentais para garantir segurança alimentar, autonomia econômica e geração de renda para mulheres do campo, das florestas e das águas, além de mulheres urbanas periféricas e periurbanas, fortalecendo também a agroecologia.


II Mostra Nacional da Produção e Ciência das Mulheres Camponesas – Sociobiodiversidade e Bem-Viver. Foto: MMC-Brasil
II Mostra Nacional da Produção e Ciência das Mulheres Camponesas – Sociobiodiversidade e Bem-Viver. Foto: MMC-Brasil

Os projetos representam uma conquista importante para o movimento, pois fortalecem a produção de alimentos saudáveis, a autonomia das mulheres e a soberania alimentar nos territórios camponeses. “Os quintais produtivos carregam a história e a luta das mulheres do campo, que cultivam diversidade, preservam sementes crioulas e garantem alimentos para suas famílias e comunidades”, explica Julciane Inês Anzilago, dirigente nacional do MMC.


Geane Bezerra, coordenadora-geral de Inclusão Socioprodutiva da Secretaria de Agricultura Familiar e Agroecologia do MDA, destacou a parceria entre o MMC, a ANMC e o ministério:


“São organizações parceiras nossas, que possuem uma trajetória de luta muito antiga e consolidada, desenvolvendo atividades junto às mulheres. São aquelas mulheres que estão em todos os lugares. São elas que produzem alimentos, que alimentam famílias inteiras e comunidades, seja nos quintais, seja nos roçados. São as mulheres que cuidam da biodiversidade e das sementes.”


A mostra evidencia a necessidade de ampliar o reconhecimento institucional do trabalho realizado pelas mulheres camponesas nos territórios. Investir em políticas públicas para as mulheres do campo significa investir em soberania alimentar, agroecologia, geração de renda, autonomia financeira e fortalecimento das comunidades rurais.


Para Maria Lucivanda Rodrigues da Silva, dirigente nacional do MMC, “quando uma mulher tem acesso às políticas públicas, toda a família e toda a comunidade são beneficiadas. Por isso, é fundamental que os governos continuem construindo e fortalecendo políticas públicas que atendam às necessidades das mulheres camponesas, ouvindo suas demandas e reconhecendo sua contribuição para o desenvolvimento do país”.


Na avaliação de Maria Lucivanda, “as mulheres camponesas não querem favores, querem respeito, reconhecimento e acesso aos seus direitos”. Fortalecer as mulheres camponesas é fortalecer a agricultura familiar camponesa, a produção de alimentos saudáveis e a vida no campo, completa a dirigente.


A mostra e o lançamento dos projetos ocorrem em um momento histórico para o MMC, que completou 43 anos de luta e organização popular em 1º de maio de 2026, resultado da trajetória de mobilização e organização das mulheres camponesas.

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