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O freio ou o acelerador

Por que o Legislativo decide a sua vida


Por Lea Oksenberg


Muito se fala em quem vai ocupar a cadeira do Palácio Iguaçu ou do Planalto, mas pouco se olha para quem vai sentar nas poltronas do Congresso Nacional e da Assembleia Legislativa (Alep). A verdade é que um presidente ou governador sem apoio parlamentar é como um motorista em um carro sem rodas: ele pode até acelerar, mas não sai do lugar.


Foto: Freepik.
Foto: Freepik.

Não podemos mais aceitar promessas vazias; precisamos colocar no concreto o que está em jogo. É urgente que tenhamos deputados e senadores que não se calem quando o governo tenta vender o bem público que pertence a todos, e que defendam com unhas e dentes o uso correto do imposto que sai do bolso do trabalhador.


Quando elegemos representantes que vivem do fisiologismo, entregamos o governo de bandeja para o mercado de trocas. Sem deputados e senadores comprometidos de fato com a população, cada projeto de lei — seja para baixar o preço do ônibus ou para investir seriamente na saúde — vira moeda de troca em salas fechadas.


O balcão ou o povo?


O parlamentar "comerciante" não vota pelo povo. Vota pelo quinhão que o governo vai entregar em troca do seu "sim". É no Congresso e na Assembleia que se decide o orçamento: se o seu dinheiro vai para o hospital de Piraquara ou para emendas invisíveis de quem só quer se reeleger. É lá que se decide a fiscalização: se a Assembleia for apenas um "puxadinho" do Palácio, as denúncias de maus-tratos em presídios ou o colapso da assistência social, como vemos na FAS – Fundação de Ação Social –, morrem na gaveta.


Das leis sobre a escala 6x1 às políticas de segurança pública, tudo passa pelo crivo de quem a gente muitas vezes elege sem nem lembrar o nome no dia seguinte. Não adianta reclamar que o governo "não faz" se a gente envia para Brasília e Curitiba uma tropa de choque interessada apenas em manter o próprio privilégio. Eleger representantes comprometidos com a base da pirâmide é garantir que o governante tenha o apoio necessário para avançar nas pautas populares — ou o freio necessário quando ele tentar atropelar os direitos da ninguenzada, termo que define a massa de brasileiros despojada de sua identidade e poder de decisão; pessoas tratadas como meros figurantes do próprio destino por uma elite que as vê como "ninguém". Votar com consciência no Legislativo é garantir que esse povo deixe de ser mercadoria no balcão de negócios da política.


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