O país pega fogo! E a gente é que paga a conta!
por Lea Oksenberg
Faltam poucos dias para a gente ir até a urna votar, e o que estamos vendo no noticiário não é conversa sobre emprego, saúde, escola ou preço da comida no mercado. O que se vê é Brasília pegando fogo. A pouco mais de duas semanas para a eleição, o Supremo Tribunal Federal — que deveria ser o juiz da partida, aquele que apita o jogo com calma e imparcialidade — virou o próprio centro da confusão. São vazamentos atrás de vazamentos, mensagens que não deveriam vazar aparecendo a conta-gotas e brigas de bastidores que deixam qualquer um de queixo caído.

O problema é que tudo isso estoura em cima da gente. Nessa fogueira toda, qualquer papo ou denúncia nova vira munição na mão de político. Um lado usa para dizer que está sendo perseguido; o outro lado usa para dizer que o adversário é bandido. Ninguém discute o que realmente importa para a vida na periferia. O debate virou uma guerra de torcidas, e parece que a Justiça virou parte da campanha eleitoral de alguém.
Não podemos engolir isso calados. Quem tem cargo alto lá em cima precisa entender que a lei não é para favorecer amigo nem para prejudicar inimigo na véspera de eleição. Investigação séria não é feita para virar espetáculo na internet bem na hora que o povo vai votar.
Enquanto eles trocam acusações em gabinetes com ar-condicionado, a vida na quebrada continua difícil. Não vamos cair nessa armadilha. A eleição é o nosso único momento de dar a resposta. Que no dia da votação a gente não vote com raiva de um lado ou de outro por causa de vazamento de bastidor, mas vote pensando na nossa realidade, no nosso prato de comida e no futuro dos nossos filhos.




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