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Professora Angela: Há tentativa de silenciamento contra mandatos combativos

Vereadora elenca tentativas de cassação contra mandatos combativos e da esquerda radical, em Curitiba e todo Brasil


por Professora Angela, vereadora de Curitiba


Professora Angela está em seu primeiro mandato, pelo Psol de Curitiba. Foto: Divulgação da Câmara
Professora Angela está em seu primeiro mandato, pelo Psol de Curitiba. Foto: Divulgação da Câmara

A perseguição aos mandatos da esquerda não é um fato isolado. Ela faz parte de uma estratégia política para enfraquecer quem enfrenta privilégios, organiza a classe trabalhadora e ocupa as instituições em defesa dos direitos do povo.


Ao longo da história, comunistas, socialistas, sindicalistas e movimentos populares foram os principais alvos do autoritarismo. Foram eles que estiveram na linha de frente da resistência ao fascismo e às ditaduras, pagando um alto preço com prisões, torturas, exílios e assassinatos. No Brasil, essa perseguição nunca deixou de existir. Apenas mudou de forma.


Se antes a repressão era exercida principalmente pela força, hoje ela também se manifesta pela judicialização da política, pela criminalização dos movimentos sociais, pela violência política de gênero e raça, por campanhas de desinformação e por processos de cassação que buscam retirar das instituições representantes legitimamente eleitos pelo voto popular.


Não é coincidência que tantas mulheres de esquerda estejam entre os principais alvos dessa ofensiva. Não à toa, Marielle Franco foi brutalmente assassinada por um grupo miliciano com tentáculos políticos. Da mesma forma, parlamentares como Sâmia Bomfim, Fernanda Melchionna, Luciana Genro, Benedita da Silva, Erika Hilton, Duda Salabert e tantas outras convivem diariamente com ameaças, discursos de ódio e tentativas de deslegitimar sua atuação política.


Nos Legislativos municipais, essa lógica também se repete. Vereadoras do PSOL e de partidos de esquerda passaram a enfrentar representações disciplinares, pedidos de cassação e campanhas permanentes de intimidação. Casos como os de Brisa Bracchi, no Rio Grande do Norte, Bruna Biondi, em São Caetano do Sul, Mônica Benicio, no Rio de Janeiro, Karen Santos, em Porto Alegre, e tantas outras demonstram que há um padrão: quando mulheres de esquerda ocupam espaços de poder e enfrentam interesses conservadores, a resposta frequentemente deixa de ser o debate político e passa a ser a tentativa de silenciamento.


O mesmo ocorre com parlamentares como Glauber Braga, Renato Freitas e diversas lideranças populares que responderam ou ainda respondem a processos desproporcionais ou claramente motivados por disputas políticas. O objetivo é produzir um efeito de intimidação coletiva: fazer com que quem denuncia injustiças pense duas vezes antes de enfrentar os interesses das elites.


É nesse contexto que se insere a tentativa de cassação do meu mandato. Não se trata apenas de um ataque individual ou de uma divergência política. Trata-se de mais um episódio de uma ofensiva contra um mandato construído ao lado da educação pública, da natureza, dos trabalhadores, das mulheres, da população negra, da comunidade LGBTQIA+, dos movimentos sociais e de todos aqueles que defendem uma Curitiba mais justa e democrática.


Esses ataques não acontecem pelo que cada parlamentar é, mas pelo que representa, sobretudo os mandatos que carregam como horizonte a defesa do socialismo, que é, em si mesmo, a antítese do fascismo.

Portanto, a esquerda incomoda porque denuncia privilégios, enfrenta o poder econômico, combate o autoritarismo e propõe mudanças estruturais em uma sociedade marcada pela concentração de renda, pelo racismo, pelo patriarcado e por profundas desigualdades. Por isso, seus mandatos são constantemente alvo de tentativas de intimidação e silenciamento.


A história mostra que o autoritarismo jamais conviveu pacificamente com uma esquerda organizada e combativa, com potencial para influenciar amplos setores da sociedade. Mas também ensina que nenhuma perseguição foi capaz de derrotar um povo mobilizado. Sempre que tentaram calar as vozes populares, a resposta veio com mais organização, mais solidariedade e mais participação política da classe trabalhadora.



*Este é um artigo de opinião, de responsabilidade de seu autor/a.

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