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OPINIÃO I O encontro da tática com a estratégia na luta da esquerda

Noto que uma série de lideranças da esquerda de alguma maneira tên feito esse debate


por Pedro Carrano


Encontro de movimentos populares urbanos em Curitiba, que realizaram nos últimos cinco anos a campanha Despejo Zero. Foto: Pedro Carrano
Encontro de movimentos populares urbanos em Curitiba, que realizaram nos últimos cinco anos a campanha Despejo Zero. Foto: Pedro Carrano

Não há dúvida sobre a urgência das eleições de outubro para a esquerda, seja no plano mundial, latino-americano e, sobretudo, nacional.


Uma vitória de Lula contra o neofascismo é necessária como forma de barrar o avanço do imperialismo de Trump e de uma extrema direita que conquistou as eleições mais recentes no Peru e na Colômbia.


E, antes, já havia conquistado na Argentina, Paraguai, Chile, Bolívia e Equador, em processos, obviamente, instáveis, sujeitos a resistências, como falamos em artigo anterior.


No caso brasileiro, ao lado da urgência e plano imediato que a campanha de 2026 exige, é fato que um quarto mandato de Lula exige o início de uma reflexão estratégica.


É necessário, primeiro, um balanço do recente quadrante histórico da esquerda brasileira, no que se refere a acúmulo teórico, programa, pautas da esquerda, mobilização, metodologia de trabalho de base, entre outras questões.


A liderança de Lula e a centralidade do PT alcançam mais de quatro décadas como principal polo aglutinador da esquerda brasileira. É necessário um estado de uma reflexão sobre possibilidades e também limites desse longo eixo histórico.


No próximo período, essa reflexão pode garantir um quarto mandato de Lula com uma esquerda bem posicionada e, mais do que isso, garantir também um contexto importante de debates para se pensar o pós-Lula e a inevitável reorganização da esquerda que os próximos 25 a 30 anos exigem. A esquerda brasileira precisa voltar a pensar a longo prazo, no marco da atual instabilidade e mudanças na geopolítica mundial.


Não podemos, em nenhum momento, desconsiderar que as dificuldades centrais do período que vivemos se devem aos ataques sofridos pelos trabalhadores.


No caso brasileiro, desde o golpe contra Dilma, foram aplicadas as reformas trabalhistas, da previdência e as terceirizações se ampliaram. A classe trabalhadora reduziu sua ação de mobilização, se fragmentou mais, reduziu o número de greves. Esse é o fator central que ainda impacta o problema organizativo.


Temer e Bolsonaro aplicaram reformas que prejudicaram os trabalhadores. Foto: Pedro Carrano
Temer e Bolsonaro aplicaram reformas que prejudicaram os trabalhadores. Foto: Pedro Carrano

Não é um assunto simples. É um tema delicado. Mas noto que uma série de lideranças da esquerda de alguma maneira tem feito esse debate, mas ainda há falta de um espaço para isso. Movimentos sociais, Centros de Formação, diferentes lideranças como José Genoíno, Luciana Genro, Valerio Arcary, Breno Altman, entre muitas outras, certamente guardam debates e questões semelhantes no que se refere à necessidade de pensar a estratégia.


Voltar a pensar a estratégia, que inevitavelmente é uma estratégia de tomada de poder do Estado pelo trabalhadores e suas organizações, para empreender as medidas necessárias no combate à dependência de nossa economia, tendo o socialismo como transição entre o modo de produção capitalista e o modo de produção comunista, demanda pensar, inicialmente, as condições necessárias para essa demanda pelo poder do Estado. Implica, também buscar aproximar mais a tática da estratégia.


Fiquei pensando sobre isso num debate recente na periferia de São Paulo, ao lado de José Genoíno, quando ele se referia, naquele contexto, à importância da luta pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) local, porém aliada a uma reflexão sobre o imperialismo hoje.


José Genoíno alerta sobre a necessidade de se pautar as lutas locais aliadas ao debate estratégico. Foto: Pedro Carrano
José Genoíno alerta sobre a necessidade de se pautar as lutas locais aliadas ao debate estratégico. Foto: Pedro Carrano

As lutas que toquem nas condições de vida do povo são mais do que necessárias e a esquerda precisa retomá-las e voltar a criar bases no coração do povo. Isso é uma demanda urgente e estamos atrasados em relação a ela.


Por outro lado, Lênin já advertia sobre a “marcha obscura da luta cotidiana”, que traz o risco de pautas imediatas que não promovem rupturas e mudanças estruturais. É nessa tensão que a construção de uma organização popular deve caminhar.


No fundo, um programa nacional, soberano, popular e antineoliberal segue na ordem do dia, como possível aglutinador de nossas denúncias. E, sobretudo, do anúncio de uma nova construção social.


Encontro do setorial de moradia do Partido dos Trabalhadores (PT) de Curitiba. Foto: Pedro Carrano
Encontro do setorial de moradia do Partido dos Trabalhadores (PT) de Curitiba. Foto: Pedro Carrano

 
 
 

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