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OPINIÃO I O neofascismo segue ameaçando a América Latina!

Por outro lado, vemos resistências fundamentais contra as medidas neoliberais


por Pedro Carrano*


Em um período ainda contrarrevolucionário, mas que conta com o papel fundamental do bloco China, Rússia e Irã, um novo ciclo organizativo na América Latina demandará protagonismo e fortalecimento da organização popular. Foto: AFP
Em um período ainda contrarrevolucionário, mas que conta com o papel fundamental do bloco China, Rússia e Irã, um novo ciclo organizativo na América Latina demandará protagonismo e fortalecimento da organização popular. Foto: AFP

Vemos que, desde o final dos anos 90, a América Latina vive ciclos de luta, ora favoráveis, ora desfavoráveis para a classe trabalhadores e as massas populares.


Isso não é determinado pelas ideias ou apenas pelas lideranças e figuras públicas, mas pela capacidade de resistência e movimentação desses setores da classe trabalhadora diante dos ataques dos setores neoliberais e do governo dos EUA.


Com isso, em 2009, tínhamos no continente até 12 presidentes considerados de esquerda ou progressistas, governos que foram resultado direto da cisão no bloco de poder aberta pelas lutas na Bolívia, no Equador, na Venezuela, entre outros países.


O chamado progressismo – em que pese medidas sociais importantes – também vivenciou e vivencia o seu limite ao não aplicar reformas estruturais e realmente criar hegemonia e força diante do imperialismo e dos setores golpistas.


Hoje, a disputa está em aberto.


O neofascismo não está vivo apenas no Brasil, mas em toda a América Latina vemos expressões no Chile, na Argentina, no Paraguai, no Equador, no Peru com o fujimorismo e, em El Salvador, na América Central, o caso clássico da “mano dura” imposta pelo governo Bukele.


O neofascismo, nesse sentido, não é apenas um discurso, “ódio”, mas resultado da insatisfação dos setores médios e das massas que o imperialismo soube catalisar. Suas ações, por outro lado, são constantemente usadas para debate ideológico, mobilização permanente e combate ao inimigo. Jogam sempre no ataque.


Tem enraizamento e capacidade real de mobilização e ofensiva, com sua tática de confundir, sendo “oposição e situação ao mesmo tempo”, sistema e medidas de arrocho, porém discurso antissistema, como o faz inclusive Trump.


No último período, a ofensiva do governo dos EUA e suas medidas voltadas à América Latina dificultam esse cenário de disputa para o campo progressista, porque o imperialismo alimenta os setores mais reacionários e já não precisa de grandes pretextos para ações em nossos países, em busca do controle da produção e de recursos, como mostrou a invasão cirúrgica contra a Venezuela.


Por outro lado, vemos resistências fundamentais contra as medidas neoliberais que pioram as condições de vida da população. Na Bolívia, a resistência operária e camponesa contra o governo de Rodrigo Paz, nas ruas, e agora as eleições na Colômbia, Peru e no Brasil, de acordo com a conjuntura de cada país, ganham papel decisivo nesse cenário.


Em um período ainda contrarrevolucionário, mas que conta com o papel fundamental do bloco China, Rússia e Irã, um novo ciclo organizativo na América Latina demandará protagonismo e fortalecimento da organização popular em todo o continente.


O principal exemplo do período está no governo da mexicana Claudia Sheinbaum Pardo, do partido Morena: medidas firmes em direção ao imperialismo, pedagogia de massas, capacidade de trazer o povo junto, e de aplicar medidas favoráveis e concretas à classe trabalhadora, respeitando suas organizações.


*Jornalista, integrante da coordenação da Frente de Organização dos Trabalhadores (FORT) e escritor, autor de "Desafios e Tarefas da Organização Popular" (Kotter Editorial, 2026).

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