Relatório da privatização da Celepar sugere garantir contratos públicos para atrair compradores
- Vigília Comunica

- 28 de mai.
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Documento da EY-Parthenon detalha plano de adaptação da estatal com a criação de um período de transição no qual a empresa teria prioridade na renovação de contratos públicos.
por José Pires
Em março de 2025, a consultoria EY-Parthenon, que é um braço global da Ernst & Young, produziu um relatório que define estratégias para o processo de privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar).

Encomendado pela própria estatal, o documento, chamado “Diligência Operacional”, traça um amplo plano de reestruturação da estatal que envolve além de possíveis demissões, a recomendação de que o governo do Paraná garanta contratos para possíveis compradores.
O relatório recomenda medidas para “garantir estabilidade de faturamento e reduzir riscos para futuros compradores” da estatal de tecnologia do Paraná. Entre as sugestões está a aceleração da renovação de contratos com o governo do Estado e até a criação de um período de transição no qual a empresa teria prioridade na renovação de contratos públicos.
Em um dos trechos, a consultoria aponta que a empresa corre risco de perder receitas importantes caso contratos com o governo não sejam renovados após a privatização. “Existe um risco de perda de faturamento caso grandes contratos não sejam renovados com o governo”, afirma o relatório.
Na sequência, a EY sugere caminhos para reduzir esse risco comercial. Entre eles, a “possibilidade de acelerar a renovação de contratos com o governo” e “garantir um período de transição no qual a Celepar tenha prioridade na renovação de contratos com o governo do Paraná”.
Na prática, o documento recomenda mecanismos para assegurar lucros à futura empresa privatizada, reduzindo incertezas para potenciais investidores interessados na compra da estatal.
A Celepar é responsável por sistemas estratégicos do governo do Paraná em áreas como segurança pública, saúde, educação, administração tributária e gestão de dados. O próprio relatório reconhece que a companhia mantém forte dependência financeira dos contratos firmados com o Estado.
Ao longo das mais de 160 páginas, a consultoria descreve o que chama de “riscos” para possíveis compradores. A consultoria destaca que o governo precisa atenuar ameaças incluindo perda de contratos, mudanças em regras de contratação pública e necessidade futura de concorrência em licitações.
A EY também admite preocupação com a manutenção da receita da companhia após a venda. Segundo a análise, a abertura de concorrência para prestação de serviços atualmente executados pela Celepar poderia reduzir faturamento e impactar o valor de mercado da empresa. Ou seja, o documento insinua que processos licitatórios poderiam ser prejudiciais para os compradores da empresa.
Além da recomendação sobre contratos, o relatório propõe uma ampla reformulação da estatal para adequá-la a um modelo privado. Entre as mudanças sugeridas estão ampliação de terceirizações, eliminação de estruturas consideradas típicas do setor público, reorganização de diretorias e revisão de processos internos. Ou seja, possíveis demissões e fechamento de setores da empresa.
O documento também recomenda extinguir áreas como ouvidoria e secretaria-geral, classificadas como “tipicamente inexistentes no modelo privado”, além de transferir setores e ativos hoje ligados ao governo estadual.
Outro ponto considerado sensível envolve o acesso a dados públicos. A consultoria reconhece que ainda não está claramente definido como uma futura empresa privatizada teria acesso às bases de dados governamentais utilizadas atualmente pela Celepar em projetos de inteligência artificial e análise de dados.
Apesar de afirmar que as propostas são “sujeitas à discussão”, o relatório demonstra que a adaptação da Celepar ao modelo privado já vinha sendo planejada internamente com detalhes operacionais, financeiros e administrativos antes mesmo da consolidação do debate público sobre a privatização da companhia.
Confira o relatório aqui:




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