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Temos o que comemorar no Dia Internacional da Biodiversidade?

por Luis Lomba


Neste 22 de maio o mundo comemora o Dia Internacional da Biodiversidade, instituído pela ONU para ressaltar a importância da diversidade de vida no planeta, desde microorganismos até os grandes sistemas ecológicos. A data ganha destaque especial este ano em Curitiba, onde maio está sendo marcado pela derrubada de mais de 100 árvores pela Prefeitura na avenida Arthur Bernardes. “Mais do que uma celebração, esse dia tem que servir para refletirmos como a gente está, de fato, criando ou não uma cidade mais resiliente, mais comprometida com o enfrentamento das mudanças climáticas”, afirma o deputado estadual Goura Nataraj (PDT).


Foto: Vilkass/Pixabay
Foto: Vilkass/Pixabay

A derrubada de árvores na avenida Arthur Bernardes atesta a visão antiecológica da administração municipal, que agiu de forma arbitrária e desconsiderou argumentos de ambientalistas e de moradores da região, sem buscar alternativas à destruição. “Não era necessário derrubar todas essas árvores, era possível ter um projeto mais cuidadoso com o meio ambiente, era possível a gente transplantar dezenas dessas árvores, era possível salvar as colmeias de abelhas nativas, com cuidado ambiental com a fauna, era possível rever o projeto para que não causasse um impacto ambiental tão grande”, lamenta o deputado, defensor das causas ambientais.


O prefeito Eduardo Pimentel (PSD) age na mesma lógica do seu antecessor, Rafael Greca, em que a propaganda vale mais que o enfrentamento efetivo dos problemas urbanos, ambientais e sociais, aponta Goura. “Parece que a gente está tendo uma política muito mais cenográfica e descuidada com as árvores que temos, sem levar em consideração critérios técnicos e biológicos mais profundos. Temos muitos problemas ambientais, com l consequências sociais também. A cidade sofre com alagamentos em áreas com comunidades mais pobres e isso não é enfrentado de forma mais direta”, afirma.


Abater árvores saudáveis no atual cenário de emergência climática é inaceitável, defende Goura. “Não é uma perspectiva que a gente deva apoiar, a gente deve ter uma postura crítica em relação a isso. Suprimir uma árvore sadia, uma árvore grande que está em pleno desenvolvimento, que não tem problemas sanitários, isso tem que ser muito bem justificado, o que não está acontecendo na cidade de Curitiba”, afirma o deputado.


As críticas de Goura se estendem a todo o projeto de ampliação da linha de ônibus Inter 2. “É um projeto que agrava a crise ambiental e está retirando centenas de árvores adultas, árvores que prestam serviços ambientais importantíssimos, que sequestram carbono, que são moradas das aves e fauna, que reduzem a sensação térmica e as ondas de calor na cidade. A Prefeitura diz que está plantando muitas mudas, mas elas só vão atingir o nível de serviços ambientais que essas árvores adultas estão proporcionando agora daqui há muito tempo”, analisa. “O projeto do Inter 2 não é ‘smart’, não é um projeto inteligente, nem é ambientalmente responsável”, completa.

Deputado estadual Goura. Foto: Dálie Felberg
Deputado estadual Goura. Foto: Dálie Felberg

Resistir ao necrocapitalismo, que traz destruição e morte às sociedades, é fundamental para garantir a vida e a bioversidade nesse momento histórico. “A gente precisa resistir, a gente precisa apoiar os movimentos sociais, as organizações comunitárias, as perspectivas de enfrentamento às mudanças climáticas, com soluções baseadas na natureza, com o envolvimento das universidades na formulação de políticas públicas. A gente precisa ter democracia efetiva e participativa, na busca de soluções coletivas para problemas coletivos”, recomenda Goura.


“Nosso objetivo tem que ser a construção de cidades resilientes, cidades ecológicas, cidades lixo zero, que diminuam a dependência do automóvel, onde o contato com a natureza seja proporcionado a toda a população, com políticas de lazer, de cultura e de moradia. Tudo isso tem que estar na nossa ordem do dia como prioridade. Esse dia é uma oportunidade para refletirmos sobre tudo isso”, afirma o deputado.

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